(Clarice Lispector).
Você já passou por isso?!
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T;* ''Não fala nada agora é o coração quem diz..''

Não sei explicar ao certo, mas algumas datas comemorativas mexem comigo, e não é diferente na sexta – feira da Paixão. Confesso que como uma boa Brasileira e aquariana, feriados me fazem bem, me deixam leve, com gosto de quero mais, de diversão. Só que a Semana Santa é diferente, e isso eu acredito que seja reflexo da cultura vinda do sul do país que corre em minhas veias, misturado ao catolicismo.
É durante esses dias que me sinto inibida, me sinto no dever de ficar comigo mesma, de me amparar com meus próprios pensamentos e reflexões; só que eu não me contento sem calor humano, sem risos, sem aconchego. Gosto de gente, de festa, de alegria. Para mim a semana é Santa não pelo o que dizem que você tem que fazer, mas sim, pelo o que seu coração e sua mente te guiam a fazer.
Fui criada sabendo que a sexta-feira da Paixão é dia de calma, de paz...de isolamento, dia de mariscos, nada de sangue, de festa, de bebida alcoólica. Só que não entendendo o porquê de tanta fartura quando todas as famílias se reúnem para um bom almoço. Mesmo assim, quero preservar esse ensinamento vindo de gerações, só que não me peça para passar uma semana em Santidade, pois, minha fé vai muito mais além do que isso; ela é grande, é respeitosa, é fiel, é diária, e não semanal no mês de Abril.


Segundo o dicionário Aurélio, saudade significa uma “lembrança nostálgica, e ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou de coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las, nostalgia; pesar pela ausência de alguém que nos é querido”.
Vendo assim parece uma coisa simples não é? Para os apaixonados em início de namoro, saudade é aquilo que sentem quando passam um dia sem ver o amado (a). Outra definição para saudade é aquela que te contam: “Não porque saudade dói, mas passa”. “É um aperto no peito”. E blablabá. Mas, sabe qual realmente é a definição certa de saudade? É aquela que você sabe , que você sente, e não a que ti dizem ou a que você leu em uma simples folha de papel.
Junto com a saudade vem um monte de sentimentos loucos, como o desespero, por exemplo. É o desespero sim... Porque você sente saudade de uma pessoa e como no meu caso, não pode ter. Vontade de ligar e ter que se controlar, vontade de ir atrás, de abraçar, beijar, estar perto, e aí o que fazer?
Outro sentimento que vem junto com essa “bendita” é o medo. Medo de ficar sozinho, medo de não conseguir viver sem a pessoa, mas acontece que ninguém nasceu agarrado, agora vai falar isso pra o seu coração. A agonia, principalmente quando você está em casa sem ter o que fazer, além de pensar na pessoa para quem você deu seu coração. Um vazio por dentro, como se tivessem tirado seu coração, uma sensação estranhíssima.
Aquele famoso aperto no peito existe sim. É uma coisa louca que parece que estão pegando seu coração e amassando. Essas coisas do coração são tão avassaladoras ,não é?
Felizes aqueles que sentem saudade e tem com quem “matar”. Mas, quem não tem? Ninguém ainda inventou uma fórmula pra saudade, nem pra solidão, nem pra dor de cotovelo e muito menos pra quem ama sozinho!
Eu descobri que essas são as piores coisas que poderiam existir! Nunca pensei que sentiria saudades de alguém tanto quanto sinto, nunca pensei que tivesse tanto medo da solidão, e nunca pensei que gostar de alguém que não gosta da gente doesse tanto quanto qualquer dor carnal!
Às vezes eu paro pra tentar entender as relações afetivas e confesso que nunca chego a uma conclusão. Tentar entender o universo masculino então? Já desisti... E falam que as mulheres que são complicadas. Mas, somos tão simples, tão simples como uma partida de futebol.


Com um sorriso largo e branco alegrando sua face, ela tentou levantar, mas, como sua saúde já não era a mesma de dois anos atrás, as mangueiras ejetadas por agulhas em seu braço não permitiram seus movimentos. Ao me aproximar alisei o seu rosto fino, com marcas do tempo, especialmente ao redor dos olhos, tirei seu óculos de grau, e enxuguei as lágrimas vindas daquele azul que tanto me fascinava e me fazia vê-la como uma boneca. Olhos os quais, nem eu e nem minha mãe herdamos.
Enquanto conversávamos, essas mesmas mãos retiraram um lenço marrom com detalhes azuis e dourados, que enfeitava seus cabelos, ou melhor, sua cabeça. Era o momento das lágrimas escorrerem sob meu rosto. O cabelo liso, ruivo com mesclas grisalhas tinha sido fraco diante do processo avassalador chamado quimioterapia. Não consegui me conter, chorei como uma criança ao ver seu brinquedo favorito quebrado. Diante do meu desespero, mais uma vez, a dona dos lindos olhos azuis demonstrou coragem e determinação, ao dizer palavras que cabiam a mim falar para ela naquele momento. O seu corpo magro me acalentou com certo esforço, devido a toda a aparelhagem que a cercava, mas, em poucos segundos voltamos a sorrir.
Ao retornar ela já estava recebendo em forma de soro, a terceira e última medicação do dia. Entreguei-lhe café e um sanduíche de pão caseiro que ela tanto gostava. Graças á Deus o tempo não nos permitiu ficar mais ali. A dose terminou nos levantamos, ela se despediu de todos, e fechou a porta. Na saída do hospital meu avô já nos esperava, de mais um final de tarde de luta para minha avó.''
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Meu tequilizar de hoje;* é de reviver um texto que fiz no primeiro período na Universidade, o objetivo era narrar uma emoção forte. Acho que consegui, narrar a força do meu espelho.Quem tem VÓ, tem tudo nessa vida;) Eu tenho duas.
[Música para terminar a noite bem]
Nem mesmo o céu
Nem as estrelas
Nem mesmo o mar
E o infinito
Não é maior
Que o meu amor
Nem mais bonito...
